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Safebook é o Facebook, exceto por ser totalmente vazio

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Reprodução/Devpost

A internet nada mais é do que um apanhado enorme de coisas que você não está a fim ver, porém não é capaz de deixar de olhar. O artista Ben Grosser tem uma solução para esse problema: Safebook.

O Safebook é uma extensão do Google Chrome e do Firefox, que foi lançada nesse final de semana. O que ela faz? Bem, ela retira todo o conteúdo da plataforma, deixando somente os prompts da interface do usuário que continuam sendo totalmente funcionais.

“Preocupado com os impactos do Facebook em sua saúde mental, mas não quer que seus amigos percam esses likes”, escreve Grosser. “Tente Safebook, Facebook sem o conteúdo”.

Em outras palavras, Safebook é simplesmente o mesmo Facebook, porém sem os “Faces”. É uma apresentação feita pela metade e uma investigação séria dos mecanismos internos dessa poderosa e gigantesca rede social.

Grosser, que é formado na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, construir um conjunto de outras extensões para o Facebook e Twitter que modificam o modo como cada plataforma funciona.

Em seu próprio perfil no Facebook, Grosser pode constantemente ser observado realizando experimentos e tentando alguns truques de codificação, mensurando as reações de seus amigos e solicitando feedback.

Uma extensão que pode ser instalar no computador, o Demetricator, analisa a experiência do usuário a partir de qualquer métrica, como a quantidade de curtidas que uma postagem tem ou o horário em que foi publicada.

Outro aplicativo, chamado GoRando, vai permitir fornecer uma resposta a qualquer postagem com uma reação aleatória. Essas extensões alteram as plataformas de mídia social, onde o usuário raramente tem qualquer autonomia, em “espaços de experimentação”, como Grosser falou no começo deste ano.

O Safebook vai muito mais longe, removendo qualquer modalidade de texto ou imagens e transformando o feed de notícias em um cruzeiro benigno por meio de tons suaves de wireframes azuis e riscas. Isso deve deixar o Facebook completamente inutilizável. Todavia Grosser indica que isso não ocorre.

“Acho estranho como ainda posso navegar no site com Safebook instalado. Claro, eu não sei o que alguém postou – ou quem postou – mas eu ainda posso fazer o trabalho diário de gostar dos posts do meu amigo.Eu diria, como você também sugere, que isso mostra como o design da interface do Facebook está impulsionando muito da nossa interação diária com ele, que nos ensinou o que fazer”, diz ele.

A extensão é uma forma de crítica aos problemas da rede social com moderação? O que pode se compreender a partir de tudo isso é que isso significa que a única versão do Facebook que é “segura” é aquela em que não existe nenhum conteúdo.

Entretanto Grosser emenda que o x da questão é que o design do Facebook em si é a força motriz por trás de muitos dos seus problemas.

“Da dependência de quantificação do Facebook (para incentivar postagens, avaliar popularidade, informar a curadoria da News Feed, etc.) à sua necessidade de crescimento constante (o lucro contínuo depende de mais usuários, mais curtidas, etc.), todo o sistema é construído de uma forma que sempre possibilitará (e até mesmo encorajará?) ameaças à privacidade, à saúde e à democracia ”, elucida ele. “O Facebook pode tentar corrigir tudo o que eles querem (com moderação de conteúdo, ajustes no algoritmo do feed de notícias, métricas de reputação etc.), mas eu diria que qualquer alternativa requer uma transformação radical, que não depende de quantificação ou crescimento infinito”.

 

Danieli Mennitti
Possuo graduação e mestrado em História pela UNESP. Faço parte da equipe de redação do portal Resumo. Além de professora e historiadora, sou redatora web freelancer/autônoma. Interesso-me e escrevo sobre os mais variados assuntos.

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