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Um avião cai todos os dias e não comove, afirma especialista sobre homicídios.

Samira Bueno é especialista em Segurança Pública e diretora executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, ela afirma que a taxa de homicídios no Brasil é como se fosse um avião caindo todos os dias e que não gera mais uma comoção social. O país alcançou o recorde das mortes consideradas violentas e atingiu uma taxa de 30,3 homicídios a cada 100 mil habitantes.

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A avaliação da especialista

Segundo a avaliação de Samira Bueno, toda essa indiferença pela sociedade está relacionada ao aumento de homicídios a que se deve a marginalização das vítimas. O que acontece é que está havendo uma epidemia de homicídios entre os jovens, negros e pardos na mesma hora e gerando uma indiferença na sociedade e as vítimas também estão fora de políticas públicas, ela avalia.

A taxa de homicídios

Um estudo realizado no ano de 2016 revelou que a taxa de homicídios entre a população negra era de 40,2 mortes por 100 mil habitantes. Já entre os brancos, amarelos e indígenas era de 16 por 100 mil habitantes. Em um ano 171 pessoas morreram por dia, em média no Brasil. As mortes violentas foram contabilizadas em intencionais no ano de 2016 em 65.517 consideradas violentas, segundo o Atlas da Violência em 2018, divulgado ontem 5 de junho de 2018.

Quem deve ser responsabilizado

Para a especialista, falta uma pressão popular para que sejam exigidas políticas públicas direcionadas para uma proteção e garantia de vida. O Governo também é responsável em seus três níveis federal, estadual e municipal, em relação a todo o seu histórico de mortes intencionais e violentas.

Samira também afirma que existe uma omissão e uma inabilidade desses governantes em não lidarem ou defenderem um plano nacional de segurança pública pautado em metas para que se possam reduzir essas mortes, ou seja, toda a segurança pública precisa deixar de ser um assunto que é somente das policias e do estado, julga a especialista.

A criação de estratégias para a segurança

Ainda segundo Samira, a não existência de um plano nacional de segurança pública também impede que sejam criadas estratégias consideradas efetivas para se combater o crime organizado. A grande maioria dessas mortes são causadas indiretamente por outro fator, como o tráfico de drogas e mais especificamente no caso dos homens, as execuções sumárias são provocadas por balas perdidas.

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Outra revelação pelo Atlas da Violência desse ano

Nesse ano de 2018, o Atlas da Violência também revelou que o número de estupros que foram notificados pelo SUS (Sistema Único de Saúde) quase dobrou em relação há cinco anos atrás e entre os casos que foram notificados, cerca de 50,9 dessas vítimas tinham até 13 anos.

No caso dos menores de idade que no caso deles o ECA (Estatuto da Criança e Adolescente) obriga ao profissional de saúde que atendeu a esse menor, fazer a notificação desse caso e isso é independente da vontade de seus familiares, o que aumenta essas notificações compulsórias e as taxas.