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Funcionário da Latam que aparece em vídeo polêmico na Rússia é demitido

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Ontem 20 de junho (quarta-feira) a companhia aérea Latam acabou demitindo um funcionário de Cumbica, como ato de repúdio as ações executadas por ele contra mulheres na Rússia.

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O funcionário Felipe Wilson aparece em um vídeo constrangendo mulheres no país da Copa, no qual foi divulgado através das redes sociais. Junto com ele estavam outros três brasileiros, também já identificados.

Parte do constrangimento consistia em pedir para que as mulheres russas repetissem uma frase de baixo calão, apenas por elas não saberem o seu real significado. No vídeo todos aparecem rindo e comemorando após as russas repetirem as palavras.

Wilson trabalhava na Latam do aeroporto de Cumbica na cidade de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo.

O que disse a Latam?

A companhia aérea Latam Airlines Brasil lançou uma nota dizendo que repudia veemente qualquer tipo de ofensa ou discriminação e reforçou que qualquer opinião emitida por parte de seus funcionários não se dizem respeito aos valores e princípios seguidos pela empresa. A partir deste conceito todas as medidas necessárias foram necessárias sobre seu funcionário, respeitando o código de ética e conduta da empresa.

Outros casos de vídeos na Copa

Este não foi o primeiro caso de vídeo feito por brasileiros na Copa do Mundo da Rússia, onde mulheres são coagidas a repetirem palavras ofensivas e auto depreciativas diante das câmeras de celulares.

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Um outro grupo que teve uma repercussão ainda maior do que o caso da Latam, foi o caso de brasileiros, inclusive um ex-secretário do governo, que sob o pretexto de ensinar cantos “típicos” de torcida, coagiram uma jovem russa a proferir palavras que remetem ao seu órgão sexual. Por não saber o que está dizendo, ela acaba repetindo e sorrindo junto com os brasileiros.

Os integrantes deste vídeo já foram identificados e tiveram os seus nomes revelados. Entre eles estão Luciano Gil Mendes Coelho, um ex-membro do CREA-PI (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Piauí), o tenente da Polícia Militar (Lages – SC) Eduardo Nunes e o ex-secretário de Turismo de Ipojuca (PE) Diego Jatobá.

Tanto a procuradoria Especial da Mulher do Senado quanto a OAB se manifestaram sobre os casos

A PEMS divulgou uma nota de repúdio sobre os casos, que foram lidas durante a reunião no Plenário, pela senadora Vanessa Grazziotin (PC do B – AM), Procuradora da Mulher.

No texto a Procuradoria Especial da Mulher lamentou e repudiou as atitudes dos grupos de torcedores brasileiros que estão presentes na Copa do Mundo da Rússia. Para a procuradoria eles estão exploraram um clima de festa para cercar uma moça estrangeira e fazerem com que ela em coletivo entoasse expressões de conteúdo pornográfico, misógino e que ofendem as partes do seu corpo.

Segundo a procuradoria esse grupo de brasileiros envergonham o país, pois se aproveitaram do fato da mulher não saber o português para ridicularizá-la e também humilhá-la, ainda fazendo exibição nas redes sociais sobre este fato, se vangloriando.

A OAB também se manifestou sobre o caso, pois Diego Jatobá também é advogado. Em nota a OAB citou que a opressão e o constrangimento sexual fazem parte da vida das mulheres e isto as atinge à todas as gerações. É de responsabilidade de toda a população coibir práticas que acabam expondo e objetificando as mulheres, reduzindo-as apenas a seus corpos. Todo o abuso feito pelo grupo foi humilhante e covarde, atingindo não somente a mulher coagida em vídeo mas todas do mundo. É necessário que as políticas públicas e institucionais para combater atos como esse sejam reforçadas e que adotem práticas de respeito e igualdade.

No Brasil dados de Segurança Pública apontam que uma mulher é vítima de feminicídio no país a cada duas horas. Outra situação alarmante é que a cada 11 minutos no Brasil uma mulher é vítima de violência sexual. A OAB ainda cita que a todo instante a mulher é assediada e banalizada pela sociedade.

A Diretoria do Conselho Federal da OAB se diz indignada e fala que perante os fatos, as advogadas da Comissão Nacional da Mulher Advogada (CFOAB) se sentem envergonhadas, agredidas, assediadas, constrangidas e humilhadas.