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General Mourão, vice de Bolsonaro na chapa, diz que casa apenas com ‘mãe e avó’ é ‘fábrica de desajustados” para tráfico

Hamilton Mourão, que é general da reserva do Exército e vice-presidente (PRTB) na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) à Presidência da República, declarou nesta segunda-feira, 17 de agosto, que famílias pobres “sem pai e avô, mas com mãe e avó” são umas verdadeiras “fábricas de desajustados” que proporciona mão de obra para o narcotráfico.

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Em sua fala, ele elaborava uma espécie de teoria a respeito de tudo o que caracteriza como sendo o fim do núcleo familiar básico e essencial por defensores de “agendas particulares que tentam impor ao conjunto da sociedade”. Ele não foi explícito, porém sua argumentação utilizou-se das mesmas ferramentas utilizadas pelos críticos

De acordo com o general Mourão, a sociedade no planeta inteiro experiencia uma crise nos costumes. Ele teceu comentários específicos sobre o caso brasileiro. “A partir do momento em que a família é dissociada, surgem os problemas sociais. Atacam eminentemente nas áreas carentes, onde não há pai e avô, mas sim mãe e avó. Por isso, é uma fábrica de elementos desajustados que tendem a ingressar nessas narco-quadrilhas”.

O candidato à vice-presidência Mourão efetuou as considerações para uma plateia sinceramente amigável, levando-se em consideração as questões feitas e manifestações da plateia, dentro da seção paulista do Secovi, o sindicato ligado ao mercado imobiliário.

“Se polícia age como polícia, é criticada. Direitos humanos são para os humanos direitos”, falou e foi ovacionado. Ele se pôs favorável a implementação do controle eletrônico de pontos de fronteira como uma forma de combater o tráfico, sem falar no investimento em tecnologia apropriada e avançada.

Caminhando por meio declarações controversas e polêmicas e usando e abusando do politicamente incorreto, teceu duras críticas a respeito da política externa da era Lula (PT), que aconteceu entre os anos de 2003 a 10. “Nós nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, do lado de lá e de cá do oceano na diplomacia Sul-Sul”, disparou.

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Ele fez alusão, nesse momento, aos casos de suspeitas de corrupção em financiamentos brasileiros a projetos que seriam realizados na África e na América Latina, um dos pontos centrais da política Sul-Sul estruturada e difundida pelo chanceler Celso Amorim, que procurava por soluções políticas e igualmente de caráter econômico às parcerias tradicionais estabelecidas com os EUA e Europa.

Confrontado depois a respeito da expressão usada, ele confessou que só havia falado aquilo “para o auditório ficar satisfeito”.

Ele realizou ainda uma ferrenha defesa do livre mercado, da redução ou pelo menos simplificação dos impostos, da carência de uma reforma previdenciária e da “implementação da trabalhista, que tem gente que é contra”. “Compete ao governo ser indutor, dar marcos regulatórios”, enunciou.

Segundo Mourão, o Brasil é se configuraria como um “cavalo para saltar 1,80 m”,  todavia “todo amarrado, só consegue saltar 0,70m”. Defendeu o ajuste fiscal baseado no corte de gastos e regulação. “Agências reguladoras são boas. Mas a macacada vai lá e faz cabide de emprego. Vamos pôr gente com mandato.”

“É preciso projeto para dar segurança ao investidor. Haverá então lucro, reinvestimento e empregos”, disse, propagando sua visão favorável a um investimento em infraestrutura. “Querermos estradas alemãs, não com o padrão da República Centro-Africana, me desculpem os irmãos de lá. Temos de priorizar as áreas mais importante”, declarou.

No que concerne ao comércio exterior, ele defendeu a diminuição da Tarifa Externa Comum do Mercosul. “Vamos aproveitar que a Venezuela [Estado associado ao bloco] já foi pro saco e discutir isso com os membros efetivos”.

De acordo com Mourão, o refino e a distribuição da Petrobras podem ser vendidos, mas relativizou a demanda privatista. “Tem de privatizar o que tem de ser privatizado”, disse, afirmando que o problema maior da petroleira é a corrupção.