A deputada Cristiane Brasil, que foi nomeada Ministra do Trabalho ano passado, mas não pode ser empossada exatamente por problemas trabalhistas, está sendo investigada pela Polícia Federal. A investigação é devida à Operação Registro Espúrio e o nome da deputada do PTB RJ foi citado na primeira fase dessa operação, por meio de uma conversa via aplicativo WhatsApp.

Essa conversa era de uma pessoa detida nessa operação: Renato Araújo Junior, que era Ministro do Trabalho. O que foi apurado por essas conversas era que Cristiane Brasil era a responsável pelas concessões de registros e que foi ela que o recomendou ao Governo para ficar com essa pasta. O que a Polícia Federal acredita é que existiram irregularidades quando os sindicatos trabalhistas receberam suas concessões de registros.

Essa primeira fase da investigação começou no final do mês de maio e tinha algumas pessoas especificas em vista, inclusive Roberto Jefferson, que é pai da deputada. Os indivíduos que a Polícia Federal estava investigando eram os senadores Cidinho Santos e o Dalírio Beber, além dos deputados federais Jovair Arantes, Paulinho da Força e Wilson Filho. Outro nome era Ademir Camilo Prates Rodrigues, que é um suplente de deputado.

Existe mandado de busca e apreensão e a PF recolhe materiais de Cristiane Brasil tanto no seu gabinete quanto na sua residência. Estão permitidas ainda medidas cautelares, que foram determinadas pelo Supremo Tribunal Federal: a deputada não pode falar com ninguém que seja do Ministério do Trabalho e nem mesmo frequentá-lo.

 O que a Operação Registro Espúrio apurou?

As investigações realizadas por essa operação da Polícia Federal mostraram que:

– Os sindicatos que recebiam primeiro as concessões eram aqueles que tinham relações com algum político;

– Esses sindicatos precisavam pagar e isso fazia com que as autoridades envolvidas tivessem diversas vantagens;

– O Ministério do Trabalho passava pelo que é chamado de loteamento, ou seja, pessoas negociavam posições. Os principais participantes disso eram o partido Solidariedade e o PTB, que é o partido de Cristiane Brasil;

– Uma vez que os sindicatos com relações com políticos eram beneficiados, a ordem de chegada, que deveria ser o parâmetro, não era respeitada pelo Ministério do Trabalho.

O que a Polícia Federal descobriu é que foi criada uma organização criminosa e que é possível até mesmo que diversos servidores façam parte dela. Os crimes verificados são corrupção ativa e passiva, organização criminosa e ainda lavagem de dinheiro. O Ministério Público Federal declarou que eram as secretarias desse ministério que desenvolveram o esquema criminoso, considerando que era por elas que o registo dos sindicatos tinha de passar.

Outros perfis que podem estar nesse esquema, de acordo com o que a Polícia Federal investigou, são advogados, parlamentares, lobistas e ainda dirigentes de centrais sindicais. A quantidade de dinheiro que as centrais sindicais tinham de pagar para receber o registro podia chegar a R$ 4.000.000,00.

O que Cristiane Brasil diz?

A deputada carioca declarou, depois das apreensões, que espera que as investigações da PF demonstrem que seu nome é limpo. Além disso, ela declarou que não esperava ser uma das envolvidas nessa investigação e, devido a isso, estava surpresa.

Cabe relembrar o escândalo também envolvendo problemas trabalhistas que a impediram de ser empossada como ministra do Trabalho. As denúncias eram de que ela não teria registrado a carteira profissional de funcionários seus, inclusive com duas condenações de indenização.

Naquele período, Michel Temer a havia nomeado como ministra, mas a 4e Vara Criminal de Niterói e também o o Supremo Tribunal Federal ordenaram a suspensão, até que o governo resolveu anunciar outro ministro.

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