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Bolsonaro afirma que filhos atiram com munição de verdade desde os 5 anos e critica o ECA

ago 23, 2018

(Por UOL) O deputado e candidato à presidência da República Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira agora, dia 23 de agosto, que todos os seus filhos atiraram com munição de verdade desde os 5 anos de idade, ou seja, desde que eram crianças bem pequenas.

De acordo com o que está contido na legislação brasileira, tal prática é terminantemente proibida e o responsável pela mesma pode receber como punição de 3 a 6 anos de cadeia. Segundo artigo de nº 242 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) determina como sendo crime “vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, arma, munição ou explosivo”.

Jair Bolsonaro se encontrava em um ato de campanha no município de Glicério (interior do Estado de São Paulo), que é a sua cidade natal, quando falou que “nós não podemos criar uma geração de covardes”.

“A arma é inerente à defesa da sua vida e à liberdade de um país. Meus filhos todos atiraram com cinco anos de idade, real, não é de ficção nem de espoleta não, tá ok?”, falou a um jornalista.

Passados alguns minutos, ele foi abordado por uma mulher que lhe de um envelope contendo aquilo que ela falou que seria uma espécie de projeto para “atiradores mirins”.

Em um vídeo gravado por essa mulher, ele afirma que leria o texto e contou novamente que os seus filhos atiraram usando munição verdadeira a partir dos 5 anos de idade. “Nós temos que criar uma geração de homens e mulheres com responsabilidade e coragem”, declarou o candidato.

O referido deputado federal falou ainda que a arma consta na Bíblia e citou uma entrevista de outra presidenciável, a candidata do Rede, Marina Silva, na qual perguntaram a ela se ela já havia sofrido algum tipo de violência sexual e a mesma havia relatado que, em sua infância, sua irmã e ela levavam consigo uma espingarda para o corte da seringa.

Em uma entrevista coletiva concedida ao final da tarde na cidade de Araçatuba, interior do estado de São Paulo, Bolsonaro afirmou que incentivava o ensino da utilização de armas pelos pais e ficou irritado ao ser perguntado pela reportagem a respeito do tema. “Esse ECA tem que ser rasgado e jogado na latrina”, esbravejou o candidato, na hora em que ficou com os ânimos mais à flor da pele.

A respeito do fato dessa prática ser expressamente proibida por lei, Jair Bolsonaro falou que defendia que “o pai ensine ao filho o que é uma arma de fogo e para que serve”. “Porque nas comunidades tem moleques de oito anos de idade usando fuzil maior do que ele”, explanou.

Um dos filhos de Bolsonaro, o também deputado federal Eduardo Bolsonaro, que estava lado a lado com o pai, interferiu falando que estava com cinco anos de idade em 1989 e que o ECA foi aprovado no ano seguinte, em 1990. “[O pai]tem que mostrar para o filho que aquilo é uma arma, até para o filho se um dia achar não saber o que é que é e fazer besteira com ela”, adicionou Jair Bolsonaro.