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Internautas mandam ‘gemidão do zap’ para a deputada que deseja censurar docentes

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Um perfil no Twitter elaborou uma campanha a fim de rebater uma proposta da deputada estadual recém-eleita Ana Caroline Campagnolo (do PSL-SC) que desejava que estudantes gravassem os seus professores que dessem aulas “com viés político-partidário” e também que se manifestassem insatisfeitos com a eleição de Jair Bolsonaro para a presidência da República. O dono do perfil se prontificou a doar R$ 5 mil à Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) se 100 “gemidões do zap” fossem mandados para o número montado pela referida deputada para a realização das denúncias.  A campanha fez um enorme sucesso e muitas pessoas mandaram áudios contendo o tal do famoso “gemidão do zap”.

Nas caixas de mensagens do aplicativo de mensagens instantâneas WhatsApp, os internautas a princípio, parecem estar efetuando alguma denúncia contra os professores e, somando-se a isso, mandam um áudio contendo a suposta “prova do crime”. “Olha o áudio do meu professor humilhando um colega de classe que declarou voto no Bolsonaro”, mandou uma usuária pelo WhatsApp, seguido do áudio do “gemidão do zap”. Dentro do período de uma hora, a campanha já tinha batido a marca das 100 mensagens mandadas para a parlamentar. 

Reprodução/Facebook

 O suposto “canal de denúncias de doutrinação ideológica”

Depois da declaração do resultado das eleições e a consequente eleição de Jair Bolsonaro (PSL) como sendo o mais novo presidente da República, agora neste domingo, 28 de outubro, a recém-eleita deputada estadual pelo PSL do Estado de Santa Catarina, Ana Caroline Campagnolo, fez a divulgação, em sua página no Facebook, que por conta própria e de forma arbitrária, construiu um “canal de denúncias” para que estudantes pudessem denunciar eventuais manifestações de docentes contrariados com a vitória do candidato da extrema direta Jair Bolsonaro.

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Na sua postagem, a deputada, que se coloca como uma entusiasmada defensora da proposta “Escola sem Partido”, alega que “muitos professores e doutrinadores estarão inconformados e revoltados” e instiga os estudantes que se sentissem “humilhados ou ofendidos”, deviam fazer um registro da “denúncia” informando dados como o nome do professor, a escola onde ocorreu o caso e cidade.

Professores e outros profissionais ligados à área educação esboçaram reações ao post de Campagnolo, e afirmaram que a iniciativa da referida deputada é totalmente desrespeitosa e “incita a coação dos professores em sala de aula”, de acordo com uma nota do Sinte (Sindicato dos Trabalhadores em Educação) de São José (SC).

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Ainda de acordo com a postagem em questão, a deputada faz a alegação de que “professores éticos e competentes não precisam se preocupar”.

Entenda o caso da deputada

Caracterizando como sendo “antifeminista, conservadora, cristã e de direita”, Ana Caroline é formada em História pela Universidade Comunitária Regional de Chapecó.  Ela é uma defensora do projeto da “Escola Sem Partido”, tece críticas àquilo que chama de política da “ideologia de gênero” e começa a dar divulgar os nomes dos membros da comunidade LGBT da cidade.

Campagnolo esteve envolvida em um caso que foi parar nos Tribunais. No ano de 2013, depois de ter seu projeto de mestrado selecionado pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UESC), cujo título era “Virgindade e Família: mudança de costumes e o papel da mulher percebido através da análise de discursos em inquéritos policiais da Comarca de Chapecó”, ela acabou se desentendendo com sua orientadora do mestrado, a professora Marlene de Fáveri, acusando a docente de promover uma “perseguição ideológica”.

De acordo com a Carta Capital, Marlene de Fáveri solicitou o afastamento e a consequente substituição da sua condição de orientadora da mestranda, afirmando que não possível orientar alguém que não crê naquilo que estuda. Campagnolo obteve orientação de outra pessoa e prosseguiu com os seus estudos até o mês de maio de 2016, quando acabou sendo reprovada pela banca final da UESC.

Foi a partir desse momento que Campagnolo tomou a decisão processar a ex-orientadora na Justiça por danos morais. No dia 5 de setembro deste ano, o juiz André Alexandre Happke, do 1º Juizado Especial da Comarca de Chapecó, realizou o arquivamento do processo. Ele julgou a ação improcedente, em decorrência da falta de provas.