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Deputados do partido MDB podem ter relação com o caso Marielle, alerta Marcelo Freixo

ago 10, 2018

A execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes fará cinco meses neste sábado, 11 de agosto e ainda não há um veredito sobre o crime. Entretanto, o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) soltou um alerta a fim de que a investigação devesse levar em conta a potencial participação de três deputados pertencentes ao MDB envolvidos na Lava Jato: Jorge Picciani, Edson Albertassi e Paulo Melo.

Em entrevista concedida ao RJ2 nessa quinta-feira, 09 de agosto, Freixo salientou que participou de um encontro no dia 14 de junho em conjunto com alguns delegados da Divisão de Homicídios e procuradores do Ministério Público Federal (MPF). A reunião ocorreu na sede do MPF, no Centro, e debateu a respeito da ligação dos políticos do MDB na execução de Marielle e Anderson.

“A reunião foi comprovada por fontes oriundas do Ministério Público Federal e a polícia achou melhor não tecer comentários sobre essa medida da investigação. Essa reunião existiu. Foi conversado com o Ministério Público, pois os delegados da investigação do caso da Marielle Franco gostariam de saber se nós havíamos dialogado, na época da denúncia que fiz aqui na Assembleia Legislativa contra o deputado [Edson] Albertassi, na sua indicação ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ)”, declarou o deputado.

Marcelo Freixo ajuiza que uma ação movida por ele pode ter gerado a razão para o crime contra a vereadora do PSOL. Freixo foi o encarregado de impedir a indicação de Edson Albertassi para ocupar uma vaga de conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE).

Em novembro do ano passado, o Ministério Público Federal estava quase a ponto de deflagrar a operação Cadeia Velha, um prolongamento da Lava Jato no Rio de Janeiro. Os deputados estaduais do MDB Edson Albertassi, Paulo Melo e Jorge Picciani – então presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), estavam sob investigação. Conforme explica a publicação, existia a suspeita de que o grupo estava tentando prejudicar o processo de investigação. A indicação de Edson Albertassi para o TCE ajudaria-o a obter foro privilegiado e direcionaria a competência da investigação da Lava Jato para o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Caso Albertassi assumisse o cargo, atrasaria as prisões e favoreceria igualmente os deputados Paulo Melo e Jorge Picciani.

A oposição logrou obter uma liminar em 2ª instância e Albertassi perdeu tanto a vaga, como o direito ao foro privilegiado. No dia seguinte, o deputado foi levado pela operação Lava Jato para um depoimento coercitivo. Em sequência, os deputados Edson Albertassi, Paulo Melo e Jorge Picciani foram presos pela Operação “Cadeia Velha”. O trio já é réu, todos eles acusados de receber mais de R$ 100 milhões em propina da chamada”caixinha da Fetranspor”, a Federação das Empresas de Ônibus do Rio.

Marcelo Freixo crê que a ação contra a posse do deputado Albertassi pode ter gerado a motivação para a morte da Marielle. “Eu já tinha denunciado com ações o grupo do PMDB há muito tempo. Eu nunca ganhei na Justiça uma ação contra esse grupo. Desta vez, eu ganhei. Desta vez, eles foram impedidos de assumir o Tribunal de Contas. Isso gerou uma consequência que eles foram presos. Evidente que algo se quebrou. Alguma coisa mudou na relação dentro da Assembleia Legislativa, que certamente gerou ódio e raiva isso tem que ser investigado”, contou ao RJ2. O texto rememora que Marielle Franco foi assessora do deputado Marcelo Freixo por um período de dez anos.

“São cinco meses sem resposta. São cinco meses onde a gente não admite mas que algum grupo seja poupado de qualquer investigação. Se nós não pegarmos essas pessoas vão matar de novo. Essas pessoas vão matar mais um vereador, mais um deputado, mais um representante, isso não é bom pra ninguém”, lamentou Freixo.