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Cinema proibido da Coreia do Norte é exibido na Coreia do Sul, em época de reconciliação

jul 19, 2018

(EFE) Uma das formas de propaganda da nação norte-coreana são os filmes de comédia romântica ou então de fantasia. E foi justamente essa modalidade de obra cinematográfica que foi exibida no Festival de Cinema de Bucheon, um acontecimento simplesmente inédito e excepcional dentro da Coreia do Sul, local no qual os filmes da Coreia do Norte são expressamente proibidos.

O evento será realizado até o dia 22 de julho. Nele estão inclusos 3 longas-metragens e 6 curtas-metragens norte-coreanos, em uma seção intitulada “A primeira carta de um país desconhecido”. O nome faz alusão à intensa divisão que acomete a península coreana desde 1945 e posteriormente com a Guerra da Coreia, de 1950 a 1953, que só ampliou ainda mais essa rachadura.

Essa é a primeira vez que há algum tipo de “troca cultural” desde o momento em que ambos os países resolvera, após um encontro histórico no mês de abril desse ano, reaproximarem-se e buscarem trabalhar pela paz entre os dois e a desnuclearização da península, de acordo com o informado pela organização do referido festival para a agência francesa EFE.

Comédias, fantasias e animações

Entre os longas selecionados, somente um deles se encaixa dentro do gênero fantasia, um filme de nome “Pulgasari” (1985), famoso por ter sido dirigido por Shin Sang-ok, da Coreia do Sul,  que foi sequestrado pelo ex-líder da Coreia do Norte Kim Jong-il e por possuir no elenco o ator japonês Kenpachiro Satsuma (que interpretou Godzilla em vários filmes) no papel de monstro.

O evento também exibiu uma comédia romântica chamada “A camarada Kim quer voar” (2012). A obra é uma das raras coproduções (teve capital e equipe artística do Reino Unido e da Bélgica) feitas na nação norte-coreana.

Cartaz do filme “Camarada Kim quer voar”. Foto: divulgação

Serão exibidos também duas obras inéditas na Coreia do Sul: seis curtas-metragens de animação a respeito de educação para o trânsito na Coreia do Norte e “Urijib iyagi” (“História da nossa família”, 2016), um longa-metragem sobre o qual existe uma suposição de ser baseado em um fato real a respeito de uma mulher que adotou sete órfãs.

O “História da nossa família” vai passar no domingo, na praça da Câmara Municipal de Bucheon, uma cidade situada a sudoeste da capital sul-coreana, Seul.

A organização do festival relembra que esta é a primeira vez que se concedeu permissão para que fosse efetuada uma “exibição pública” daquilo que se chama de “materiais especiais” (materiais especiais são aqueles exaltem o sistema político da Coreia do Norte, coisa realizada por todos os filmes selecionados para o festival).

Isso pode ser entendido como um progresso em comparação com as exibições limitadas que aconteceram em ocasiões anteriores.

A lei de Segurança Nacional da Coreia do Sul, nação que, em termos técnicos, permanece em guerra com a Coreia do Norte, veta a exibição de quaisquer “materiais especiais”.

Contudo, o governo sul-coreano tem o poder de liberar autorizações em determinados casos, como neste, por “razões de troca acadêmica e cultural”, segundo explanou um representante do Ministério de Cultura.

O funcionário rememorou também que o Conselho Cinematográfico Sul-coreano (KOFIC), ligado ao Ministério, formou na semana passada um comitê especial composto por atores, diretores e produtores para intensificar as trocas com o Norte.