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Delação de Palocci é questionada pela PF

Um dos inquéritos abertos em virtude da delação do ex-ministro Antônio Palocci teve seu relatório concluído na última terça-feira (11) pelo delegado de Polícia Federal Marcelo Feres Daher.

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A investigação envolve alegada ocultação de valores atribuídos ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em contas bancários do BTG Pactual.

No documento, já enviado ao Ministério Público Federal, o delegado Daher levanta questionamentos acerca da delação de Palocci que podem comprometer o seu conteúdo.

Lula ladrão?

Em primeiro lugar, Daher declarou que as afirmações declinadas por Palocci foram desmentidas diversas vezes, “por todas testemunhas, declarantes e por outros colaboradores da Justiça”.

Curiosamente, o delegado também disse que tais afirmações parecem terem sido tiradas da internet, uma vez que são “baseadas em dados públicos, sem acréscimo de elementos de corroboração, a não notícias de jornais”.

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O relatório prosseguiu registrando que, embora sejam as notícias suficientes para o início do inquérito policial, não houve confirmação dos fatos alegados pelas provas produzidas, o que obstaria o prosseguimento do processo penal.

Trata-se do anexo 10 da delação de Palocci, na qual o ex-ministro declarou que o banqueiro André Santos Esteves, a partir do início de 2011, teria ficado responsável por movimentar e ocultar valores em favor de Lula.

Palocci alegou que os dinheiros, decorrente de corrupção e caixa dois, eram ocultados em contas bancárias no BTG Pactual em nome de terceiros, levando o banco a ser alvo da Operação Estrela Cadente no último trimestre de 2019.

Insider trading

A delação ainda continha afirmação de suposto esquema de vazamento de informações privilegiadas entre André Esteve e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, que passaria informações ao bancário sobre mudanças na SELIC.

Munido das informações, Esteves teria realizado operações no mercado financeiro, obtendo lucros muito acima da média dos demais operadores financeiros, através do Fundo Bintang.

Ocorre que a Polícia Federal não conseguiu confirmar sequer a existência de relacionamento entre André Esteves e o Fundo Bintang, cujo gestor era Marcelo Lustosa. Tampouco foi demonstrada ingerência do BTG na gestão do fundo.

Restou dúvida acerca das declarações de Palocci nesse sentido, uma vez que não foi comprovada relação entre Marcelo Lustosa e qualquer pessoa detentora das informações