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Comunidades indígenas denunciam a ocorrência de pelo menos 4 ataques no MS

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Reprodução/Agência Brasil

Pelo menos dois ataques de caráter intimidatório desferidos contra comunidades indígenas foram registrados, nesses últimos dias, nos Estados de Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Determinadas autoridades e a Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmaram o registro.

Reprodução/Agência Brasil

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) informou que recebeu mais dois relatos de ações de cunho violento em Mato Grosso do Sul. Os ações englobaram a utilização de armas de fogo, balas de borracha, além de atearem fogo a uma escola e um posto de saúde voltado à saúde indígena. Não existe registros de mortes, porém há registro de feridos. 

Conforme o informado pelos relatos, os ataques aconteceram no período entre a madrugada do domingo, 28 de outubro (dia do segundo turno das eleições) e esta segunda-feira, 29 de outubro. O caso mais brutal, devidamente confirmado pela Funai, aconteceu contra os moradores da aldeia Bororó, uma das inúmeras existentes dentro da Reserva Indígena Dourados.

Situada no perímetro urbano, a Reserva de Dourados é a área indígena portadora da maior concentração populacional étnica de todo o Brasil, com cerca de 13 mil habitantes distribuídos por uma área correspondente a aproximadamente 3 mil hectares (cada hectare equivale às medidas similares a um campo de futebol oficial).

Um grupo de indígenas pertencentes à etnia guarani-kaiowá da aldeia Bororó contaram a missionários do Cimi que, durante a madrugada do último domingo, foram pegos de surpresa por um ataque realizado por um grupo que reunia índios de outras comunidades e não-índios. Os agressores chegaram perto da aldeia em caminhonetes e com um trator. Alguns deles efetuaram disparos contra o grupo.

Além da ocorrência de ao menos quatro pessoas feridas com balas de borracha, dois jovens tomaram tiros oriundos de armas de fogo. Uma das vítimas, que recebeu um tiro na perna, foi devidamente atendido no Hospital da Vida e já teve alta. Em razão do medo, o outro indígena também baleado na perna negou-se a receber socorro fora da aldeia e, em consonância com informações cedidas por um missionário do Cimi, permaneceu com a bala alojada no corpo até o período da tarde de ontem.

A secretaria estadual de Justiça e Segurança Pública informou que a Polícia Civil efetuou a instauração de procedimento a fim de fazer a apuração do caso, porém adiantou para a equipe da reportagem da Agência Brasil que “as informações preliminares dão conta de que houve um possível conflito entre indígenas”. Contudo, missionários pertencentes ao Cimi que solicitaram para não ter seus nomes divulgados por motivos de segurança pessoal caracterizaram a manifestação como sendo “precipitada”.

Ela [a secretaria] não leva em conta a complexidade da situação local, inclusive a situação de vulnerabilidade das comunidades que vivem na área e em seu entorno. Uma situação que obriga muitos índios a se sujeitarem a interesses maiores”, falou  um dos missionários do Cimi, recordando o fato de que muitos índios operam junto de fazendeiros da região. De acordo com os missionários, isso ocorre porque a “restrição” das comunidades em meio à área urbana e áreas de plantio as impossibilita de desenvolver atividades tradicionais tão essenciais à manutenção do crescimento da sua população.

Parte deste conflito interno se deve à grave situação local, uma situação de crise humanitária. Houve um ataque, pessoas foram baleadas e quem os atacou deve ser identificado e levado à Justiça. O risco é considerar isso única e exclusivamente como um conflito interno, como já aconteceu antes”, salientou um dos missionários, confessando que, há mais ou menos um mês, essa mesma aldeia já havia sofrido um ataque. Uma parcela das fotos que foram difundidas nas redes sociais nas últimas horas estão relacionadas com o ataque anterior, conforme afirmou o missionário.

A Polícia Federal informou à Agência Brasil que foi chamada pela Polícia Militar estadual na parte da manhã de segunda-feira, que se deslocou até o local do conflito, todavia, até o presente instante, não encontrou ninguém, nem foi procurada por nenhuma vítima ou testemunha.

Danieli Mennitti
Possuo graduação e mestrado em História pela UNESP. Faço parte da equipe de redação do portal Resumo. Além de professora e historiadora, sou redatora web freelancer/autônoma. Interesso-me e escrevo sobre os mais variados assuntos.

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